PROJETO DE LEI Nº 023/2026, DE 01 de Outubro de 2026
 

"Institui no município de Campo Bom o troféu JAIRO DE ANDRADE” e dá outras providências"

Proponente: Ver. Jair Wingert (REP) e Ver.ª Kayanne Braga (PDT)

 

                       

                      Campo Bom, 29  de Setembro  de 2026.

 Senhor Presidente

Senhores Vereadores

 Os Vereadores que subscrevem, encaminham através do presente, para deliberação dos nobres pares, o incluso Projeto de Lei que: “Institui no âmbito municipal o troféu Jairo de Andrade”  O presente projeto de Lei Institui esta premiação a agentes culturais que promovem a fomentação da cultura no município de Campo Bom na esfera da arte e cultura. O projeto visa premiar e agraciar quem apoia e incentiva  a cultura local.  E o objetivo desta premiação é resgatar a cultura local premiando aqueles que se destacam na cidade, concedendo o reconhecimento a quem faz da arte um sacerdócio. Sendo o que tínhamos para o momento, reiteramos votos de estima e apreço.    

 

 

                                               Cordialmente,

            

                                             Jair J. Wingert                      

                                      Vereador do Republicanos.

 

                                           Kayanne Braga.

                                          Vereadora do PDT.

 

SALA DE SESSÕES PRESIDENTE VARGAS,  29 DE SETEMBRO  DE 2026.

 

 

 PROJETO DE LEI  Nº           /2026 PL,  29 de Setembro  de 2026.

“Institui no município de Campo Bom o troféu JAIRO DE ANDRADE” e dá outras providências.

Art. 1º - Fica instituída, no âmbito do Município de Campo Bom, no âmbito Legislativo a criação do troféu JAIRO DE ANDRADE.

Art. 2º -  Este troféu visa agraciar anualmente quem faz arte e cultura com esmero e talento desenvolvendo a cultura local.

Art. 3º -  O troféu Jairo de Andrade visa beneficiar artistas locais – escritores, artistas plásticos, atores, escritores, artesãos, grafiteiros,  grupos hip hop, rock, ceramistas e outros.

Art. 4º - O Poder Legislativo poderá criar uma Comissão interna formada por lideres de bancadas, integrante da área cultural, indicado pela Secretaria de Educação e Cultura – um integrante para deliberar sobre o nome do homenageado que se reuniram em junho para deliberar quanto ao nome do homenageado indicado.

Art. 5º -  Que a premiação seja entregue de maneira solene em agosto de cada ano, a partir de 2027.

Art. 6º -  A Lei determina que apenas um homenageado será agraciado a cada ano. 

Art.7º -  A confecção deste troféu  entrará na dotação orçamentária da Câmara de Vereadores  a exemplo do que ocorre no Mérito Farroupilha.

Art. 8º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 

SALA DE SESSÕES PRESIDENTE VARGAS,  29 DE SETEMBRO DE 2026.

 

 

 QUEM FOI JAIRO DE ANDRADE?

Jairo de Andrade (Uruguaiana RS 1935). Ator, diretor, produtor. À frente do Teatro de Arena de Porto Alegre, Jairo de Andrade torna-se o principal nome gaúcho do teatro de resistência à ditadura militar nos anos 1970, com uma linha de valorização da dramaturgia nacional.

 Chega a Porto Alegre em 1962 e faz o curso de arte dramática, vinculado à Faculdade de Filosofia da Universidade do Rio Grande do Sul (URGS). Ao formar-se, cria com as colegas Alba Rosa, Araci Esteves e Edwiga Falej o Grupo de Teatro Independente (GTI), uma tentativa de desenvolver o profissionalismo em Porto Alegre, numa época em que a maioria dos atores formados em arte dramática segue para São Paulo ou Rio de Janeiro em busca de trabalho.

 O grupo excursiona pela fronteira oeste do estado gaúcho com a peça A Farsa da Esposa Perfeita, de Eddy Lima, em 1966. De volta a Porto Alegre, o GTI encena mais cinco peças no mesmo ano: Ratos e Homens, de John Steinbeck; Esperando Godot, de Samuel Beckett; Soraya Posto 2, de Pedro Bloch; Um Elefante no Caos, de Millôr Fernandes; e O Demorado Adeus, de Tennessee Williams. As temporadas são curtas, devido à histórica falta de teatros em Porto Alegre. O grupo começa a alimentar o sonho de ter sede própria.

 SURGE O ARENA

Jairo de Andrade descobre uma área abandonada no subsolo de um edifício na subida do viaduto Otávio Rocha, no centro, onde inicialmente seria erguida uma fábrica de remédios. E é nesse local que os próprios atores constroem, em seis meses, o teatro, aproveitando material de construção recolhido em obras da cidade.

 

O GTI se dispersa e restam, como sócios, Jairo de Andrade e Alba Rosa, que constituem o Teatro de Arena, com o apoio de Câncio Vargas e Hamilton Braga. O Santo Inquérito, de Dias Gomes, com direção de Andrade, marca o início da trajetória do Teatro de Arena, em outubro de 1967. O pequeno teatro, com 120 lugares, torna-se palco de peças de Bertolt Brecht, Jean-Paul Sartre e Peter Weiss e dos brasileiros Plínio Marcos, Oduvaldo Vianna Filho, Consuelo de Castro, Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri.

 

Paralelamente, Jairo de Andrade dirige uma gráfica que presta serviços principalmente a grupos de esquerda e entidades estudantis e chega a publicar quatro números de Teatro em Revista, com matérias sobre o mundo teatral. O vínculo político permite promoções conjuntas com diretórios acadêmicos que adquirem ingressos e os distribuem entre os estudantes, o que representa importante fonte de renda para o teatro. Em conjunto com o Diretório Central dos Estudantes, o Arena desenvolve o Teatro Jornal, com base nas experiências de Augusto Boal.

 

Os anos seguintes são marcados por dificuldades financeiras e políticas. Jairo de Andrade busca em vão as fontes oficiais de subsídios. Ao mesmo tempo, a linha de trabalho do Arena fica na mira da censura e da repressão policial. Jairo de Andrade consegue reverter as ameaças de proibição às montagens de Entre Quatro Paredes, de Jean-Paul Sartre, e de Os Fuzis da Senhora Carrar, de Brecht, mas em outubro de 1968, pouco antes da decretação do Ato Institucional nº 5, uma carta do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) ameaça explodir o teatro caso prossigam os ensaios de Feira Gaúcha de Opinião, adaptação da Primeira Feira Paulista de Opinião, encenada pelo Teatro de Arena de São Paulo. Durante a temporada de Os Fuzis, o teatro é invadido por tropas do exército, em busca das armas utilizadas no espetáculo. Andrade é preso e torturado para que confesse a origem das armas, na verdade, carcaças de fuzis emprestados pela Brigada Militar.

 

No início de 1969, Cordélia Brasil, de Antônio Bivar, com direção de Wagner Mello, é proibida no quinto dia de exibição, o que apressa a estreia de Jairo de Andrade como ator em Quando as Máquinas Param, de Plínio Marcos.

 

Marlise Saueressig ingressa no Teatro de Arena em 1971, inicialmente ajudando na produção dos espetáculos. A repressão contra o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) faz com que Andrade, vinculado ao partido, deixe Porto Alegre junto com Marlise. No ano de 1972, os dois viajam pelo Brasil promovendo cursos de expressão corporal em vários estados.

 

Retornam com ânimo renovado em 1974, mas as dificuldades econômicas prevalecem, levando-os a morar no teatro para conseguir pagar o aluguel do prédio. No mesmo ano, os dois estão em cena na peça À Flor da Pele, de Consuelo de Castro, com direção de José Rubens Siqueira. O crítico Antônio Hohlfeldt escreve: "Jairo de Andrade e Marlise Saueressig reanimam aquelas duas personalidades - o professor burguês e frustrado e a aluna revoltada e insatisfeita -, com um novo gosto que não se pode dizer de coisa boa, porque a peça é amarga demais para isso, mas que se pode qualificar tranquilamente como a melhor produção teatral já realizada pelo Arena local em toda a sua existência. Como nunca, À Flor da Pele tem gosto de teatro profissional".1 Praticamente em sua estreia no teatro, Marlise é saudada como uma grande atriz. É o maior sucesso de bilheteria do Teatro de Arena e permite que Andrade e Marlise finalmente comprem o teatro.

 

No ano seguinte, Jairo de Andrade é procurado pelo Instituto Cultural Brasil-Alemanha, que propõe uma produção conjunta. O texto escolhido é Mockinpott, de Peter Weiss. Para dirigi-lo, chega a Porto Alegre o espanhol José Luiz Gómez, que provoca uma revolução cênica e de profissionalismo na cidade. Andrade faz o papel do militar que compõe a tríade dos poderosos que oprimem o personagem principal. Depois de apenas uma semana em cartaz no Arena, Mockinpott segue para uma excursão pelo Brasil. No Rio de Janeiro, é recomendada pela Associação Carioca de Críticos Teatrais (ACCT), presidida por Yan Michalski. Mas, em São Paulo, a censura proíbe a montagem duas horas antes da estreia. Jairo de Andrade consegue mobilizar os meios culturais da cidade. Uma comissão, integrada por Raul Cortez, Ruth Escobar e Elis Regina, segue para Brasília e o espetáculo é liberado. Apesar do sucesso nacional de Mockinpott, os altos custos de produção praticamente consomem a renda obtida e as dificuldades econômicas ressurgem.

 

Na luta pela democracia, em meados dos anos 1970, o Teatro de Arena transforma-se em espaço de reuniões políticas, especialmente da campanha pela anistia. A abertura política praticamente encerra um ciclo de peças de contestação. Na falta de um novo repertório, Jairo de Andrade e Marlise tentam remontar sucessos antigos como Jornada de um Imbecil até o Entendimento, de Plínio Marcos, e Cordélia Brasil, recém-liberada pela censura, mas o público não comparece.

 Como última tentativa, o Arena busca o recomeço, mobilizando dezenas de jovens interessados em teatro. É criado o Grupo Dramático Açores, que monta três peças simultaneamente e serve de berço para uma geração de novos artistas do teatro gaúcho que têm destacada atuação nas décadas seguintes, como Luciano Alabarse, Carlos Cunha, João Pedro Gil, Mauro Soares, Pedro Santos, Marta Biavaschi e Mirna Spritzer.

 

As dívidas crescem e a situação se torna insuportável. Jairo de Andrade e Marlise abandonam as atividades teatrais. Uma mobilização da classe teatral impede que o prédio vá a leilão, mas o Teatro de Arena permanece fechado até 1987, quando é encampado pelo governo do estado. A reabertura do Arena é saudada pela classe artística com uma manifestação que conta com a presença de Andrade e Marlise. Na ocasião, Andrade declara: "O Teatro de Arena foi um lugar onde as pessoas lutaram pelo que acreditaram e tentaram ser felizes. Hoje estamos tranquilos porque sabemos que, com o que se passou, o Arena jamais deixará de ser o que foi na nossa época: antes de tudo, um teatro".

 

Em Campo Bom...

Ao auto se exilar em Campo Bom no inicio dos anos 80, junto de Marlise, Jairo de Andrade começa a construção de um novo projeto; criar lideranças em Campo Bom que pudessem ocupar espaços e se tornar protagonistas, através do pensamento crítico. O professor Jairo de Andrade organizou o setor jovem do MDB que se reunia aos sábados a tarde na antiga Galeria Schmidt, prédio da Awaloon para debater alternativas para o Brasil, e a maneira de vencer a ditadura através do voto. Entre os jovens que participavam estavam; Marcelo Spier, Jair Wingert, Beto Silva, Isabel, Silvinha Schmidt, Iraldo dos Reis. Este grupo culminou com a chegada ao poder do  PMDB em 1988 com a dupla de vereadores, Giovani Feltes e Deoclécio Schuetz.  Em  1986, Jairo de Andrade concorre a deputado Federal constituinte com o numero 1535,  obtendo em Campo Bom mais de 6 mil votos, num total de mais de 10 mil votos no total, ficando como suplente. A votação de Jairo de Andrade o cacifava como autêntico candidato a prefeito em 1988, porém como um pragmático e construtor de partido abriu mão da candidatura  em apoio a Giovani e Schuetz ( é a juventude é a renovação. É Campo Bom mais social, agora é a vez e a voz do povão. Giovani e Schuetz na Prefeitura é a juventude é a renovação...) Além de mudar o jogo politico em Campo Bom, o professor Jairo de Andrade foi um mantenedor de utopias, de que um outro mundo seria possível.

 

PRIMEIRA ASSOCIAÇÃO DE BAIRRO DE CAMPO BOM.

O professor Jairo de Andrade organizou a fundação da primeira Associação de Moradores de Bairro em Campo Bom , criada no bairro Alto Paulista no inicio dos anos 80, através de Sérgio Gayger e Pedro Cunha “Pedrão”. Além de todas estas ações, Jairo foi criador da Asmevale – Associação de Micro e Pequenos Empresários do Vale do Sinos que organizava esta categoria e comprava produtos em rede a baixos preços.  Jairo também militou no PT – Partido dos Trabalhadores nos final dos anos 90. Como empreendedor criou a Casquinha Brinquedos Pedagógicos, empresa que atendia o mercado lúdico de brinquedos de madeira, com sede no bairro Oparária. A ênfase eram brinquedos para trabalhar com crianças nas escolas, como: ábaco, taco-bola e outros.

Jairo de Andrade foi casado com Marlise Saueressig com quem teve três filhos – Jairo ( Jairão), Camilo e Tarso, além de Rosaura  de outra união.

Jairo de Andrade faleceu em 30 de dezembro de 2023, aos 88 anos,  em decorrência de problemas referentes a um avc, mas seu legado permanece vivo nas mentes e corações daqueles que amam a arte, a democracia e o amor a vida.

 

 

                      

 

 

 

 

Documento publicado digitalmente por JUNIOR LOPES DA ROSA em 01/10/2026 às 15:41:06.
Chave MD5 para verificação de integridade desta publicação 3782b84fcf196569409e74d0eed26c81.
A autenticidade deste poderá ser verificada em http://legis.camaracb.rs.gov.br/autenticidade, mediante código 77653.

HASH SHA256: faeac707c962999408b44ad4989e70b6c382245a5b74ad0921d8bf8fb0da27bf